Prólogo: Dante Parte 3
Posted by Ricardo Junqueira | Posted in prólogo | Posted on 22:28
Meu nome é Dante Guerra, eu nasci em 1866 em uma pequena casa no interior de São Paulo. Meus pais eram imigrantes italianos que vieram da região de Milão para trabalhar em uma fazenda, minha infância transcorreu normalmente e aos vinte anos de idade viajei para a cidade de São Paulo para continuar meus estudos de medicina. Foi lá onde conheci minha esposa Belina e onde tivemos nossa primeira filha, Mariana. Minha vida ia bem naquele lugar até que em 1904 nossa casa foi atacada por um homem desconhecido e fui forçado a presenciar a terrível morte de minha esposa e filha. Tudo que desejava naquele momento era morrer também para reencontrá-las do outro lado, mas uma força maior impediu que isso acontecesse. Pouco tempo depois eu tive de confrontar uma verdade enlouquecedora, eu havia me transformado em algo equivalente ao homem que destruiu minha família, algo que alguns chamam de Vampiro.
Alho? Brincadeira de criança. Água benta? Refrescante. Estacas de Madeira? Talvez seja a única com algum fundo de verdade. Em décadas de vida eu aprendi muitas coisas sobre ser um vampiro, a primeira e mais básica de todas é: tudo que você leu por aí não é muito eficaz contra nós, possivelmente tudo isto foi implantado por vampiros que gostariam de se proteger ou simplesmente tinham um senso de humor diferenciado. Outra coisa importante é: nem todos que são mordidos efetivamente se tornam vampiros, a Transição é basicamente um efeito biológico complexo com chances altíssimas de matar o indivíduo infectado – assim como aconteceu com minha esposa e minha filha – durante ela todos os seus órgãos e sangue se fundem em uma única substância que é facilmente gerada a partir do sangue, daí a necessidade de beber sangue humano. Essa substância sozinha é capaz de expandir o tempo de vida e prover uma regeneração rápida, porém neste caso se torna necessário repor o sangue – se eu não tivesse atacado aquele homem ele provavelmente não teria nos mordido.
Apesar de tantas vantagens essa substância é extremamente vulnerável a luz do Sol que faz com que ela se calcifique em questão de minutos transformando o vampiro em uma estátua de cor vermelho sangue. O único órgão que não se transforma na Transição é o cérebro, ele permanece da mesma maneira que antes e por isso é a maior fraqueza dos vampiros, caso a cabeça seja cortada ou algo atinja o cérebro diretamente o vampiro morrerá tão rapidamente quanto um ser humano. Também é possível reproduzir o efeito da luz do Sol com explosivos e uma exposição prolongada a chamas – o que, aliás, pode ser um bom plano para a noite de hoje, embora seja um método muito chamativo. Provavelmente a Discovery Channel faria um documentário sobre o “Mistério das Estátuas Escarlate” e o Michael Jackson faria um clipe com estátuas dançantes .
Não há como reverter a condição de um vampiro, mas somente nesta condição é possível confrontar os seres que por centenas de anos manipulam a humanidade pelas sombras. No momento meu único objetivo é me vingar daquele que destruiu minha família, pois assim impedirei que mais pessoas sejam mortas por motivos injustos como os deles. Esta noite será o começo de um novo futuro para esta cidade, pelo menos assim espero.


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