Prólogo: Dante Parte 1
Posted by Ricardo Junqueira | Posted in prólogo | Posted on 01:21
08 de Junho de 1984
As noites de São Paulo se tornavam cada vez mais frias com a aproximação do Inverno, uma leve garoa banhava os enormes prédios da cidade que se tornava maior a cada dia. Em um beco sujo que era iluminado apenas por um outdoor de "Os Caça Fantasmas" um homem podia ser visto deitado, em suas mãos havia apenas uma garrafa de cachaça que, somada ao seu fedor, faria qualquer um achar que se tratava de apenas mais um maltrapilho. O barulho dos carros que passavam eram o suficiente para despertar aquele homem, que tentava expulsá-los com uma de suas mãos enquanto murmurava palavras incompreensíveis.
A noite avançou mais algumas horas quando um Fusca preto ano 1984 parou na frente daquele beco, de dentro dele saiu um homem alto vestindo um terno preto e óculos escuros. Em suas mãos havia apenas uma garrafa de Black Label, o qual acreditava ser o suficiente para cumprir seus propósitos ali. Caminhou até o mendigo que estava no final do beco e disse como se reencontrasse um velho amigo:
- Como vai, Simon?
O mendigo se assustou ao ouvir aquela voz e imediatamente se sentou, erguendo sua face tentando reconhecer quem atrapalhava seu sono. Jamais se esqueceria das três semanas em um hospital municipal que a última surra lhe custou, naquele tipo de negócios erros não eram admitidos, principalmente quando se negociava com aquele tipo de gente.
- Trouxe o meu pagamento? – disse o mendigo com sua voz rouca, dando apenas um sorriso desdentado ao ver o reflexo da luz na garrafa de Black Label na mão do visitante e prosseguiu – Pois bem... Os ratos e as baratas me disseram que aqueles que você procura se encontrarão amanhã à noite naquele mesmo bar de sempre, mas tome cuidado, pois eles também disseram que os grandes comparecerão.
A expressão do homem mudou no momento em que o mendigo avisou sobre a presença dos líderes, já estava naquela tortuosa caçada há décadas, mas sempre era enganado por suas pistas falsas e armações de seus lacaios. Talvez o momento de sua libertação finalmente estivesse chegando, mas antes deveria se preparar para sua última e mais difícil batalha. Enfrentaria monstros de centenas de anos, monstros que destruíram milhares de vidas e manipularam a História a seu bel-prazer. Com um tímido sorriso de satisfação em seu rosto o homem colocou a garrafa de Black Label no chão e a empurrou com o pé para perto do mendigo, que rapidamente a abraçou como a um filho, se virou e deixou aquele lugar. Não havia mais tempo para ele naquela noite e em breve a luz do Sol voltaria a tocar os prédios daquela cidade e isto, para alguém como ele seria fatal.


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