A Profecia

Posted by Ricardo Junqueira | Posted in | Posted on 23:19

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Lobisomem: O Apocalipse
Wikipedia:
“Lobisomem: O Apocalipse é um jogo de RPG da editora estadunidense White Wolf, publicado no Brasil pela Devir Livraria. É um dos mais conhecidos títulos da série "Mundo das Trevas". O jogo usa o sistema Storyteller para o desenvolvimento e a interpretação dos fatos e eventos. Com um clima de horror selvagem (diferente do horror psicológico e pessoal de Vampiro: A Máscara), Lobisomem é um dos RPGs mais consagrados do Mundo das Trevas. O jogo foi criado por Mark Rein*Hagen, Robert Hatch e Bill Bridges.”

“A Fênix me capturou.
Carregou-me em suas garras
bem alto sobre o mundo
para que eu visse além do amanhã.
E olhei.
Contemplei o futuro.
Vi a aniquilação de nossa espécie. Caçados sem trégua, mortos um após outro
— até o último. Não havia mais filhos, netos, pais ou mães. Este foi o Sinal
que me foi mostrado pela Fênix: o destino que os Filhos da Weaver, os
Humanos, reservavam para nós, os Garou.
Olhei.
Contemplei o futuro.
Vi os Filhos da Weaver gerando. Uma grande massa de humanos crescendo sem
parar. Tornaram-se cada vez mais numerosos, até Gaia sofrer por carregar todos
eles. Os homens multiplicaram suas casas, rasgaram o solo com ancinhos e
cavaram a terra ressequida para se alimentar de seus frutos. Este foi o segundo
Sinal dos últimos dias que me foi mostrado pela Fênix: o que os humanos
fariam.
Olhei novamente.
Contemplei o terceiro Sinal.
Tantos. Tantas crianças. Tantos humanos. Eles se voltaram uns contra os outros
e a Wyrm semeou corrupção entre eles. Vi o Fogo estranho, fora de controle, a
grande coluna de fumaça elevando-se do campo, espalhando morte onde quer
que refulgisse no escuro e na terra fria. Ouvi a agonia do Mar: entoava um
lamento porque algum bêbado tinha derramado sobre ele um lago de morte
negra.
Enojado, virei minha cabeça, mas não pude evitar olhar novamente.
Contemplei, então, o quarto Sinal.
A Wyrm ficou mais forte; suas asas abanaram as brisas da podridão. Ela
espalhou pestes horríveis: o Rebanho foi afligido com doenças da mente e do
sangue. As crianças nasceram deformadas. Os animais adoeceram e ninguém
conseguiu curá-los. Nesses últimos dias, nem mesmo os Guerreiros de Gaia
serão poupados das garras infectadas do pássaro maldito.
Com lágrimas nos olhos, olhei novamente, e a Fênix mostrou-me o quinto Sinal.
Vi outras Colunas de Fumaça elevando-se como lanças mortais na direção do
céu belo, perfurando-o e deixando o Pai Sol queimar e secar Gaia. O ar ficou
quente; mesmo na escuridão do Inverno fazia calor. As plantas definharam ao
sol. Um grito de dor e doença elevou-se das florestas agonizantes: suas
criaturas chorando a uma só voz.
Então, como se um véu tivesse sido rasgado, o sexto Sinal mostrou-se para mim.
Nesses últimos dias, Gaia estremeceu de fúria. Suas entranhas expeliram fogo.
Cinzas encobriram o céu. A Wyrm ocultou-se nas sombras causadas por esses
fenômenos... e preparou seu bote. Os velhos se foram; os Protetores das Trilhas
e Encruzilhadas não existiam mais. Nesses últimos dias, o sexto Sinal se fará
conhecer nas Matilhas que se formarão. Cada Matilha terá de empreender uma
Cruzada. Essa é a vontade de Gaia.
Vi o céu escurecer e a lua ficar da cor do sangue.
E vislumbrei o sétimo Sinal, embora não tenha sido capaz de vê-lo
completamente. Mas pude sentir seu calor.
O Apocalipse. Os momentos finais do mundo. Engolida pelo Sol, a lua ardeu nas
entranhas do astro-rei. Fogos profanos caíram ao solo, queimando a todos nós,
deformando-nos e fazendo com que vomitássemos sangue. A Wyrm manifestou-
se nas torres, nos rios, no ar e na terra, e em toda parte seus filhos correram a
esmo, devorando, destruindo, vociferando maldições de todos os tipos. E o
Rebanho fugiu aterrorizado. E os Sombrios os filhos da Wyrm saíram de
seus antros para caminhar nas ruas à luz do dia.
Virei a cabeça para não ver mais nada. A Fênix me disse: Isto é como será,
não como deveria ter sido.
A Fênix largou-me.
Agora não posso sonhar. Posso apenas lembrar os Sinais, cada um em perfeitos
detalhes. Vivemos os últimos dias. Que Gaia tenha piedade de nós.”

A Profecia da Fênix, que prevê o Apocalipse.

Trecho retirado do livro básico de Lobisomem: O Apocalipse, a partir daqui já vão ser histórias originais sobre garous.

Sobre o Dante

Posted by Ricardo Junqueira | Posted in | Posted on 22:28

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Decidi parar de escrever sobre um vampiro já que desde o começo a única motivação era zuar Crepúsculo e suas fanzetes em algum ponto. Mas ao perceber que seria trabalho demais para irritar alguns fãs conhecidos (Virgíniaaaa...) vi que simplesmente não valeria a pena. A partir de hoje utilizarei isso aqui para escrever contos de Lobisomem: O Apocalipse, RPG que eu jogo há um bom tempo.

Prólogo: Dante Parte 3

Posted by Ricardo Junqueira | Posted in | Posted on 22:28

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Meu nome é Dante Guerra, eu nasci em 1866 em uma pequena casa no interior de São Paulo. Meus pais eram imigrantes italianos que vieram da região de Milão para trabalhar em uma fazenda, minha infância transcorreu normalmente e aos vinte anos de idade viajei para a cidade de São Paulo para continuar meus estudos de medicina. Foi lá onde conheci minha esposa Belina e onde tivemos nossa primeira filha, Mariana. Minha vida ia bem naquele lugar até que em 1904 nossa casa foi atacada por um homem desconhecido e fui forçado a presenciar a terrível morte de minha esposa e filha. Tudo que desejava naquele momento era morrer também para reencontrá-las do outro lado, mas uma força maior impediu que isso acontecesse. Pouco tempo depois eu tive de confrontar uma verdade enlouquecedora, eu havia me transformado em algo equivalente ao homem que destruiu minha família, algo que alguns chamam de Vampiro.

Alho? Brincadeira de criança. Água benta? Refrescante. Estacas de Madeira? Talvez seja a única com algum fundo de verdade. Em décadas de vida eu aprendi muitas coisas sobre ser um vampiro, a primeira e mais básica de todas é: tudo que você leu por aí não é muito eficaz contra nós, possivelmente tudo isto foi implantado por vampiros que gostariam de se proteger ou simplesmente tinham um senso de humor diferenciado. Outra coisa importante é: nem todos que são mordidos efetivamente se tornam vampiros, a Transição é basicamente um efeito biológico complexo com chances altíssimas de matar o indivíduo infectado – assim como aconteceu com minha esposa e minha filha – durante ela todos os seus órgãos e sangue se fundem em uma única substância que é facilmente gerada a partir do sangue, daí a necessidade de beber sangue humano. Essa substância sozinha é capaz de expandir o tempo de vida e prover uma regeneração rápida, porém neste caso se torna necessário repor o sangue – se eu não tivesse atacado aquele homem ele provavelmente não teria nos mordido.

Apesar de tantas vantagens essa substância é extremamente vulnerável a luz do Sol que faz com que ela se calcifique em questão de minutos transformando o vampiro em uma estátua de cor vermelho sangue. O único órgão que não se transforma na Transição é o cérebro, ele permanece da mesma maneira que antes e por isso é a maior fraqueza dos vampiros, caso a cabeça seja cortada ou algo atinja o cérebro diretamente o vampiro morrerá tão rapidamente quanto um ser humano. Também é possível reproduzir o efeito da luz do Sol com explosivos e uma exposição prolongada a chamas – o que, aliás, pode ser um bom plano para a noite de hoje, embora seja um método muito chamativo. Provavelmente a Discovery Channel faria um documentário sobre o “Mistério das Estátuas Escarlate” e o Michael Jackson faria um clipe com estátuas dançantes .

Não há como reverter a condição de um vampiro, mas somente nesta condição é possível confrontar os seres que por centenas de anos manipulam a humanidade pelas sombras. No momento meu único objetivo é me vingar daquele que destruiu minha família, pois assim impedirei que mais pessoas sejam mortas por motivos injustos como os deles. Esta noite será o começo de um novo futuro para esta cidade, pelo menos assim espero.

Prólogo: Dante Parte 2

Posted by Ricardo Junqueira | Posted in | Posted on 16:01

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08 de Junho de 1984

O homem saiu daquele beco escuro e entrou em seu Fusca preto, ele imediatamente deu a partida, aproveitando a pequena quantidade de carros para andar um pouco mais rápido que o de costume. A chuva havia apertado um pouco, mas aquilo realmente não era um problema já que havia décadas desde a última vez que ele adoeceu, tendo que ficar de cama por alguns dias enquanto sua esposa e filha cuidavam dele. As imagens das duas freqüentemente surgiam em sua mente, sua vida era perfeita até o dia em que tudo aconteceu, mas finalmente o dia de sua vingança estava chegando.

Tudo aconteceu há cerca de oitenta anos atrás, Dante era um homem honesto que vivia com sua esposa e filha em uma casa de classe média no centro de São Paulo. Era bem visto por todos os seus vizinhos e amigos e alguns até mesmo achavam que ele deveria tentar um cargo na política local. Já era Natal e por isso sua esposa preparou um jantar para os três em sua casa, eles divertiram-se bastante naquela noite e logo foram dormir, pois sua filha queria acordar cedo para receber os presentes que o tal Papai Noel havia deixado sob a árvore de Natal.

Durante a noite Dante deixou seu quarto sorrateiramente para colocar os presentes sob a árvore, já havia passado de meia-noite e o silêncio reinava em sua casa. Foi quando ele ouviu alguém mexendo na maçaneta da porta de entrada, provavelmente seria um ladrão ou algum outro malandro que resolveu tentar a sorte ali. Prevendo que naquele ritmo a porta provavelmente seria arrombada em pouco tempo, o homem decidiu ir até a cozinha e pegar uma faca, voltando para a sala e aguardando que a porta fosse aberta. Dante se surpreendeu ao encontrar um homem jovem do outro lado, devia ter uns 20 anos e suas roupas eram impecáveis. Possivelmente aquele rapaz estava bêbado e confundiu sua casa, mas antes que pudesse ter qualquer reação o rapaz avançou sobre ele, desferindo um soco em seu abdômen com uma força descomunal. Dante ficou caído no pequeno corredor da entrada enquanto o rapaz avançava para dentro de sua casa.

- Você não deveria tentar a vida política sem nossa autorização, sabia? – disse o jovem enquanto vestia um par de luvas que tirou de dentro do terno – Eu vou lá em cima buscar sua esposa e sua filha, não tente fugir, pois será pior para vocês três...

O homem subiu as escadarias para o segundo andar enquanto Dante tentava se arrastar para sala, o impacto daquele golpe provavelmente havia quebrado uma de suas costelas. Ele mal podia acreditar no que estava acontecendo, sua vida era perfeita, possuía uma família feliz e não tinham problemas com dinheiro. E agora em uma noite tudo poderia ser perdido. Alguns minutos depois o homem retornou trazendo a filha e a esposa de Dante, sua filha estava chorando e parte do rosto da mulher estava um afundado como se tivesse recebido um soco. O rapaz colocou os três lado a lado na sala e começou a falar:

-Acha mesmo que qualquer um pode vir em nosso território e tentar ganhar poder? Vocês humanos são realmente patéticos em acreditar que estão no topo do mundo, infelizmente para você isso acaba hoje e que sirva de exemplo para os próximos que tentarem. – O rapaz deu dois passos em direção a garotinha quando foi atacado por Dante, ver sua filha ameaçada fez com que ele reunisse suas forças para tentar impedir aquilo.

Com a faca que carregava ele conseguiu acertar um golpe certeiro no coração do homem, acreditava que tudo estaria terminado após aquilo e que no máximo teria que dar explicações para a polícia no dia seguinte, mas ao ver a reação do rapaz Dante entendeu que talvez estivesse presenciando algo ainda pior do que havia previsto. Com sua mão direita ele segurou o punho de Dante que ainda encravava a faca em seu peito e o puxou, havia utilizado tanta força ali que foi o suficiente para quebrar sua mão. Antes de soltar ele ainda deu uma joelhada no homem, que caiu no chão sentindo fortes dores. O rapaz voltou a caminhar em direção a garotinha, que a esta altura já estava paralisada de medo, ele gritava como se tivesse perdido totalmente o controle.

- Maldito! Eu vim aqui apenas para matar vocês, mas agora darei um destino ainda pior para você e sua família! – Ao terminar de falar seus caninos se alongaram alguns centímetros e ele avançou em direção a filha de Dante, mordendo seu pescoço enquanto a mãe dela gritava horrorizada. Mas antes que a mulher tivesse a chance de tentar escapar ele a segurou pelo ombro e também a mordeu, deixando as duas caídas imersas em uma crise convulsiva enquanto ele caminhava até Dante, dizendo – Viu? Isto é tudo sua culpa. Vocês três iriam apenas para o Inferno, mas quem sabe agora elas não tenham um destino ainda pior!? – O rapaz ergueu Dante pelo pescoço e também o mordeu, deixando ele caído no chão enquanto fugia pela porta de entrada.

Foi ali que aquela caçada de décadas havia começado, Dante foi o único dos três a sobreviver a Transição, por meses ele se culpou por tudo que aconteceu, mas quando finalmente entendeu a verdadeira essência de sua nova condição ele decidiu se vingar. Ainda faltavam algumas horas para o nascer do Sol, mas já havia progredido bastante naquela noite. Dante dirigia imerso em suas memórias pelas ruas da cidade que viu crescer, permaneceu daquela maneira até perceber que estava quase avançando um sinal vermelho e atropelando um grupo de jovens. Conseguiu parar a tempo, mas ainda teve que ouvir algumas ofensas sendo gritadas em sua direção.

-Cuidado aí, ô coroa! – disse um dos jovens que atravessava a rua.

“Merda...” – Pensou Dante se reprimindo por quase ter sofrido um grave acidente naquele momento. No momento em que o sinal abriu ele dirigiu atentamente até sua casa numa região mais afastada da cidade, talvez aquele fosse o último dia que passaria ali e por isso deveria se preparar para os acontecimentos decisivos da noite que viria.

Prólogo: Dante Parte 1

Posted by Ricardo Junqueira | Posted in | Posted on 01:21

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08 de Junho de 1984

As noites de São Paulo se tornavam cada vez mais frias com a aproximação do Inverno, uma leve garoa banhava os enormes prédios da cidade que se tornava maior a cada dia. Em um beco sujo que era iluminado apenas por um outdoor de "Os Caça Fantasmas" um homem podia ser visto deitado, em suas mãos havia apenas uma garrafa de cachaça que, somada ao seu fedor, faria qualquer um achar que se tratava de apenas mais um maltrapilho. O barulho dos carros que passavam eram o suficiente para despertar aquele homem, que tentava expulsá-los com uma de suas mãos enquanto murmurava palavras incompreensíveis.

A noite avançou mais algumas horas quando um Fusca preto ano 1984 parou na frente daquele beco, de dentro dele saiu um homem alto vestindo um terno preto e óculos escuros. Em suas mãos havia apenas uma garrafa de Black Label, o qual acreditava ser o suficiente para cumprir seus propósitos ali. Caminhou até o mendigo que estava no final do beco e disse como se reencontrasse um velho amigo:

- Como vai, Simon?

O mendigo se assustou ao ouvir aquela voz e imediatamente se sentou, erguendo sua face tentando reconhecer quem atrapalhava seu sono. Jamais se esqueceria das três semanas em um hospital municipal que a última surra lhe custou, naquele tipo de negócios erros não eram admitidos, principalmente quando se negociava com aquele tipo de gente.

- Trouxe o meu pagamento? – disse o mendigo com sua voz rouca, dando apenas um sorriso desdentado ao ver o reflexo da luz na garrafa de Black Label na mão do visitante e prosseguiu – Pois bem... Os ratos e as baratas me disseram que aqueles que você procura se encontrarão amanhã à noite naquele mesmo bar de sempre, mas tome cuidado, pois eles também disseram que os grandes comparecerão.

A expressão do homem mudou no momento em que o mendigo avisou sobre a presença dos líderes, já estava naquela tortuosa caçada há décadas, mas sempre era enganado por suas pistas falsas e armações de seus lacaios. Talvez o momento de sua libertação finalmente estivesse chegando, mas antes deveria se preparar para sua última e mais difícil batalha. Enfrentaria monstros de centenas de anos, monstros que destruíram milhares de vidas e manipularam a História a seu bel-prazer. Com um tímido sorriso de satisfação em seu rosto o homem colocou a garrafa de Black Label no chão e a empurrou com o pé para perto do mendigo, que rapidamente a abraçou como a um filho, se virou e deixou aquele lugar. Não havia mais tempo para ele naquela noite e em breve a luz do Sol voltaria a tocar os prédios daquela cidade e isto, para alguém como ele seria fatal.